Durante décadas, o marketing disputou Share of Mind: ser uma das marcas recuperadas pela memória quando o consumidor pensa em determinada categoria.
A inteligência artificial acrescenta uma nova disputa.
Imagine duas pessoas perguntando a um assistente: “Qual tênis você recomenda?”
A pergunta é igual. O contexto pode não ser.
Uma delas corre eventualmente e procura preço. A outra corre cinco vezes por semana, prioriza amortecimento e aceita pagar mais por conforto. Dependendo do sistema e das informações disponíveis na interação, a IA pode considerar esse contexto para organizar respostas diferentes.
Portanto, não basta perguntar: “Minha marca aparece na IA?”
A pergunta mais importante talvez seja: “Em quais contextos decisórios minha marca aparece?”
É aqui que proponho o conceito de Share of Model: a presença relativa de uma marca nas respostas e no conjunto de alternativas produzidos por sistemas de IA diante de diferentes intenções e contextos de decisão.
Isso cria algo próximo de uma disponibilidade algorítmica contextual.
E onde entra o neuromarketing?
O cérebro não avalia todas as alternativas existentes no mercado. Ele trabalha sobre um conjunto limitado de possibilidades e utiliza memória, familiaridade, percepção de risco, emoção e atalhos cognitivos para avaliá-las.
Agora imagine que a IA faça uma parte do trabalho anterior:
10 alternativas → IA seleciona 3 → cérebro avalia 3.
Além de reduzir o conjunto, ela pode enquadrá-lo: “melhor custo-benefício”, “mais segura”, “premium”, “mais adequada ao seu perfil”.
No neuromarketing, surge então uma nova questão: como o cérebro decide quando outra inteligência já selecionou, resumiu e enquadrou parte das alternativas?
A IA não elimina a decisão humana. Mas pode modificar o ambiente informacional sobre o qual ela acontece.
Talvez a próxima grande disputa das marcas não seja apenas por serem lembradas.
Será por conseguir entrar no conjunto de possibilidades que chegará à mente para ser decidido.
